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Os franceses iniciaram recolhendo os mais de 300 carros incendiados no reveillon.
Nos Estados Unidos se acordou limpando a neve acumulada em frente as casas.
No Quênia manifestantes começaram o ano incendiando casas e igrejas em protesto as eleições que elegeram o atual presidente na última quarta-feira. Chineses nadam no rio Yong celebrando Mao Tsé-tung. Holandeses vão ao mar gelado para celebrar o ano-novo. A Madeleine McCann ninguém sabe onde está. E se está.
Enfim, a virada de ano é simbólica, mas é reflexiva, pois muitas pessoas pelo menos neste momento pensam no rumo que está tomando sua vida. O importante é continuar na batalha. Desejamos um feliz ano novo à todos nossos leitores. O Maluco.com.br está retomando suas pequenas férias com novidades. Em breve.

Saudações!

no mato, com cachorros

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Abra los ojos, abra los ojos, já nos diria Eduardo Noriega no non-sense espanhol.

Foi essa a frase que eu repetia numa manhã pós-carnavalesca, em fevereiro de 2006. Bem, eu imagino que você saiba o que seja uma manhã pós-carnavalesca. Na versão light, você ainda está levemente embriagado, sucumbindo por um copo d'água.

Na versão média, seus pés estão entrelaçados por serpentinas, propositalmente armadas para dificultar seus movimentos no colchão, e se tiver sorte, não se assustará com a máscara de papagaio que você mesmo utilizou na noite passada. Claro, fui de papagaio porque é muito perigoso sair com uma de porco ou de vaca, amigos contam que acordar com uma máscara dessas ao lado é das piores sensações, você não sabe se está em um ritual hindu ou em um açougue.

Não vou relatar como é uma manhã heavy metal pós-folia, porque sempre fui um garoto comedido e, bem, ainda não passei por essas.

Naquele fevereiro, a manhã começou na madrugada anterior, quase num canteiro na praça central de São Luís do Paraitinga, à essa altura o coreto central estava rodeado de moscas e o cheiro de yakisoba da esquina vencia o odor da urina que lambia as bordas do coreto (responsável por propagar o som e palco das bandas que tocavam as marchas locais).

Do lado esquerdo, a estampa turquesa, cabelos castanhos repicados na altura do pescoço e ombros à vista já diziam o que eu teria certa vergonha de dizer. Quando me aproximei, após ser levemente iluminado pelo resto de luz que a lua nos dava, escutei dela:

- Eu vi o rei de quatro. Eu vi.

No relance, já de mãos dadas e sem palavras, eu quebrei o hiato, desdei a mão e ofereci um yakisoba (aquela hora, era a única coisa quente que serviam por ali). A manhã já queria nascer em São Luis eos ombros revelavam o começo de um ladrilho pelo qual qualquer menino gostaria de andar. O sorriso saiu logo depois da fome saciada.

- Me chama de Joana. E me conte tudo.

Algum tremor dominava sua mão e todo o resto de seu braço esquerdo, que me levava na direção contrária do coreto, para um sobrado fora do centro histórico. Água, cajus, uma cama, poucos livros e roupas faziam parte do cenário que não me parecia convidativo. Joana então me sentou, e veio a pergunta:

- Vou te falar sobre a União dos Vegetais. Quero que você me tenha com alguma consciência.

Ao pegar uma caixa que estava sob a cama, fotos, muitas fotos, textos mal-escritos, o som lá de fora era alto, empolgante, mas também havia um som ali dentro, naquele quarto, entre eu e ela. E quanto mais via, menos entendia, não sabia direito o porque de eu estar ali, mas tem coisas que a gente não entende e continua fazendo. Nisso, ela vai se súbito para o banheiro. Estava trancafiada fazia uns dez minutos, porém, sem muitos sons ou ruídos. Eu não escutava nada, nem barulho da água batendo da pia, nem de uma descarga, nem aqueles pequenos barulhos metálicos que as mulheres fazem devido ao aparato que faz qualquer cirurgião morrer de inveja: pinças, tesourinhas, aparador de cílios, não era possível escutar nada disso. De repente, sussurros, sussurros mais altos, chegando próximos de uma voz normal.

- Não dá! Não rola, não agüento mais, isso não é pra mim!

Gelado, eu comecei a procurar alguma coisa para me defender, com medo de que saísse do banheiro algum cenoura-man, uma beterra-humana da União dos Vegetais para tentar me seqüestrar ou converter. Ela sai. O cabelo agora loiro claro, o castanho então era uma peruca. Notei que ela estava em prantos, desesperada mesmo. Nisso, um homem de colete e headphone sai do nada, atrás de uma porta-falsa próxima à cama.

- Calma Juliana, calma! Amanhã a gente tenta de novo, tem tempo!

Eu estava tão pertido como você agora escutando esse diálogo. Volto a olhar para o homem, seu colete trazia um logo estampado no lado direito ‘Green Onion’.

- Atair (como ele sabia meu nome?), sou Carlos Alberto, da produtora Green Onion, muito prazer.

Produtora Green Onion? Será que a Teoria das Cordas realmente existe? Já estou em outro plano?

- Juliana, desce para a van que eu resolvo isso aqui. Vai agora.

Após Juliana deixar o quarto, Carlos Alberto se voltou para mim, contou que a Green Onion é a empresa do Dan Brown e que eu participara de um novo formato de reality-show, cujo objetivo era explorar como diferentes culturas (o reality também seria filmado em oito países) se portavam diante de um ‘mistério’. No entanto, a atriz-host da versão brasileira, Juliana Almeida, não conseguiu encarar totalmente o desafio de gravar nesse formato inovador de televisão.

Ainda pasmo, perguntei se o nome da produtora, Green Onion, tinha alguma relação à União dos Vegetais. Carlos respondeu que não, o nome remetia apenas ao passado de Brown, seu pai era produtor de cebolas em Bancroft, Idaho. Questionamentos feitos, recebi um cheque de dois mil reais, pelo transtorno na noite, enquanto Carlos garantia que toda a filmagem gravada até então seria deletada, já que pelo estresse da atriz, não poderia ser aproveitada ou levada adiante (ele não sabia o valor exato, mas relatou que se tivesse tudo saído conforme o roteiro, eu poderia ter faturado pelos meus direitos de imagem nesse ‘experimento’).

Então, na próxima vez que você for passar o carnaval no interior paulista, abra los ojos, nunca se sabe quando poderá acabar numa espécie de teste de fidelidade do autor de Código da Vinci.

ps. Ainda curioso, perguntei o porquê da oração ‘Eu vi o rei de quatro. Eu vi’. Carlos falou que essa parte do roteiro estava aberta para intervenções da atriz. Procurando no Google, vi que essa oração é um trecho da música ‘Rey’ dos Secos & Molhados. Fico aqui imaginando o que os outros participantes desse reality ainda vão escutar.

Eu tive problemas com o banco de dados na migração da versão 2.1 para a 2.3 do wordpress, eu já identifiquei o problema, porem vou ter que escrever um script para finalizar a conversão de "categorias" para "tags".

Por enquanto, vamos ficar sem essa divisão no blog.

Tempo.

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Depois de um bom tempo fora do blog, espero voltar.... vamos lá.